terça-feira, 11 de setembro de 2012

H I 04 _ A Idade Sub-Apostólica

(e Jesus: ressuscita os mortos, cura ...) 
Na aula passada então nós vimos o início, a formação das Sagradas Escrituras. Vejam, é preferível sempre usar a expressão Sagradas Escrituras em vez de usar a palavra Bíblia. É que a palavra Bíblia em português criou a impressão de singular. É uma coisa só, é um livro. Mas nós vimos que Bíblia é plural, não é? O singular em grego é Biblion. Bíblia são os Livros, os Livros Sagrados, então é preferível colocar no plural as Sagradas Escrituras.
Por quê?
Porque nós sabemos que as Sagradas Escrituras na verdade são uma biblioteca que depois foi juntada num volume só. Hoje em dia a gente pode ter a facilidade de ter todas as Sagradas Escrituras num volume, num códice mas... Isso é uma novidade!

Durante toda a história da Igreja essa coisa de Sagradas Escrituras foi sempre algo que as pessoas não tinham acesso completo. Por que é que o senhor Martinho Lutero foi capaz de colocar o princípio da sola scriptura?
O que é que é esse princípio?
Sola scriptura é o princípio segundo o qual Martinho Lutero (1517 - início do protestantismo) estabelece que somente pela escritura é que temos a norma de fé.

Como Lutero foi capaz de fazer isso?
Ora, Lutero foi capaz de fazer isso por uma razão muito simples, gente: ele tinha a imprensa! Não é? Um pouquinho antes de Lutero teve um senhor chamado Güttemberg que inventou a imprensa.

Para você ter toda a biblioteca das Sagradas Escrituras antigamente durante mil e quinhentos anos para você ter todos os setenta e dois livros das Sagradas Escrituras você precisava ter muito dinheiro!

Durante mil e quinhentos anos a Igreja teve que viver de resumos da Bíblia. Pedaços da Bíblia! Alguém tinha as Cartas de São Paulo ou tinha trechos dos Evangelhos, tinha o Livro dos Salmos, mas quase ninguém tinha a Bíblia inteira!

Por quê?
Bom, por uma razão muito simples você senta agora e copia a Bíblia inteira. Quanto tempo vai levar isso?

Depois nós – agora – temos o papel mas vocês sabem que o papel foi uma invenção que veio da China com Marco Polo no século XV!

Marco Polo trouxe o papel! Antes do papel, o que é que tinha?
Tinha o pergaminho que era caríssimo! Era couro de carneiro tratado e era muito caro você escrever uma coisa! Você tinha pergaminhos! Para você copiar a Bíblia você precisa ser riquíssimo! Porque o pergaminho era caro, a tinta era cara, e o trabalho de um amanuense, de uma pessoa que escrevesse, um calígrafo que copiasse era mais caro ainda! Imagina o cara passava meses e meses copiando porque não pensa assim que tinha escrita, que tinha caneta esferográfica.

Você, com uma pena tinha que apontar a pena, desenhar as letras, esperar a tinta secar na pele do carneiro! Não era assim, automático! Tanto que as Cartas de São Paulo, a gente vê as Cartas de São Paulo hoje, a gente não imagina o trabalhão que deu a esse homem, ditava essas cartas de noite, quantas noites de trabalho custou prá São Paulo escrever uma Carta destas. Tanto que ele tinha tempo para pensar! Não é como nós hoje em dia, que a gente vai escrevendo as coisas no computador aí apaga, se arrepende, volta atrás, não! Ele ditava a Carta e um escrivão ia escrevendo. Como é que a gente sabe que ele ditava? Porque tem algumas Cartas que o finalzinho ele diz assim: “Essa é a minha escrita”. Ou seja, quer dizer que a Carta inteira quem fez foi uma outra pessoa e dali para frente ele começou a escrever pro pessoal ver a assinatura dele, a escrita dele.

Então São Paulo passava a noite na luz de lampião... ou seja, de lâmpadas ditando essas Cartas e levava tempo! Enquanto o escrivão ia escrevendo uma linha ele tinha tempo de pensar a próxima frase! Então não era assim, que era uma coisa impensada! Ele levava o dia inteiro pensando o que que ele ia escrever de noite, entendeu? Então levava tempo para copiar as coisas...
Então ter a Bíblia inteira copiada e escrita era um privilégio de poucos! Só mosteiros muito ricos, só Catedrais importantes, bibliotecas famosas é que tinham a Bíblia inteira.

Aí eu pergunto a vocês: como era possível que a Igreja fosse viver de “Bíblia” se ninguém tinha acesso a isso?

Então os protestantes podem! Eles podem, gente! São muito recentes, eles! Eles começaram anteontem! Eles começaram a cinco séculos atrás, a Igreja tem dois mil anos! Então esses caras podem chegar com a Bíblia debaixo do braço e dizer: “Só a Bíblia!” Tudo bem, não é? Você não teve que viver 1.500 anos sem ela!

Entende? Pra você é fácil, né? Vocês começaram numa época que já tinha papel, já tinha imprensa, é fácil prá você falar de boca cheia: “A Biiiblia”, não é? A Bíblia na mão do povo! Não foi você que teve que combater heresia durante quinze séculos!
Entenderam? Como que a Igreja ia viver desse jeito?

Dependendo de Bíblia? Entenderam o problema?
Veja, eu não estou desprezando a palavra de Deus! Eu não estou desprezando as Sagradas Escrituras! Só que a gente tem que tomar consciência do seguinte: A palavra de Deus é UMA PESSOA! É JESUS CRISTO! NÃO É UM LIVRO! E A IGREJA SEMPRE VIVEU DESTA PESSOA QUE É JESUS CRISTO, QUE É A PALAVRA DE DEUS! UM ACONTECIMENTO HISTÓRICO!

E a Igreja sempre viveu de ter que preservar a memória, os ensinamentos, os sacramentos e a presença do Cristo ressuscitado no seu meio. Foi assim que a Igreja teve que viver durante séculos!

Portanto gente, nós tivemos primeiro a Igreja e depois a Bíblia!
Então, resumindo o que nós vimos na aula passada, a lista dos vinte e sete livros do Novo Testamento ela levou um tempo para ser formada. O primeiro livro, o primeiríssimo livro, foi escrito no ano 51dc. O último livro, que é o Apocalipse, foi escrito mais ou menos no ano cem! Levou cinqüenta anos só para escrever! Depois que escreveu levou mais cem anos de debate para saber quais desses livros iam entrar na lista! No Cânon do Novo Testamento! Os marcionitas queriam pouquíssimos livros! Os gnósticos queriam muitos livros! Vai, debate, estica, encolhe, faz lista, os bispos então chegaram a um consenso dos vinte e sete livros do Novo Testamento.

Mas isso foi bem depois...
E mesmo com os vinte e sete livros do Novo Testamento não está resolvido tudo porque não é todo o mundo que tem acesso aos vinte e sete livros do Novo Testamento! Você não pode agora montar a vida da Igreja inteira em cima de um livro! Também porque a gente sabe que esse livro dá para a gente fazer muita coisa com ele! Em cima das Sagradas Escrituras os protestantes, cada um funda uma igreja! A cada dia tem uma igreja sendo fundada! Porque eles estão convencidos de que o negócio é assim, a igreja não vincula ninguém, o que vincula é a Bíblia! Para eles o que importa é a Bíblia, não importa a Igreja!

Mas meu irmão, como é que você pode dizer que o que importa é a Bíblia, não importa a Igreja? Como é que você tem Bíblia se você não tiver Igreja?

Entenderam o problema?

Tá dando para enxergar que, se não tivesse Igreja não teria Bíblia?

Que a Bíblia não caiu do céu com zíper e tudo?
Ou você tem uma Igreja para explicar o surgimento das Sagradas Escrituras ou então meu irmãozinho, tchau, tchau.

Então nós respeitamos os nossos irmãos evangélicos/protestantes, mas a única coisa que a gente pode e deve dizer para eles é o seguinte: “Vai estudar, criançada!” Não é?

Vamos estudar a História da Igreja! E ver direito como é que é esse negócio!

É por isso que tem padre amigo meu que diz assim: “Olha, quem estuda a história da Igreja antiga protestante não fica! Pode virar até ortodoxo, mas protestante não fica!”
Porque não tem consistência! Não tem consistência histórica!

Você não tem como explicar o princípio protestante, não tem como Jesus não podia ter feito a Igreja para Ela sobreviver em cima: 1) De um livro que ainda nem existia; 2) Que, uma vez que ele existe, ainda não havia sido identificado; 3) Uma vez que foi identificado, não tá na mão de todo o mundo! É uma coisa raríssima!
Então é evidente que as Sagradas Escrituras servem como norma para nós, MAS A PALAVRA DE DEUS NÃO É UM LIVRO, A PALAVRA DE DEUS É A PESSOA VIVA DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO ENCARNADO NA HISTÓRIA RESSUSCITADO E VIVO DENTRO DA SUA IGREJA! PONTO! ISSO É A PALAVRA DE DEUS! É UMA PESSOA! VIVA! E A IGREJA AO LONGO DOS SÉCULOS TEM A MISSÃO DE CONSERVAR A MENSAGEM, A PALAVRA, A MEMÓRIA DOS FEITOS, OS MISTÉRIOS CELEBRADOS NOS SACRAMENTOS, OS ACONTECIMENTOS MÍSTICOS QUE SURGIRAM A PARTIR DA REDENÇÃO, DA ENCARNAÇÃO, DA RESSURREIÇÃO DE NOSSO SENHOR! Entenderam?
Jesus disse: “Eis que Eu estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos.” Ele não disse: “Eis que a Bíblia estará convosco todos os dias.” Ele disse: “Eu estarei convosco todos os dias!”

Ninguém mais podia dizer “Eu vi quando Jesus fez tal coisa...”; “Eu vi o Ressuscitado!”; “Eu toquei nas suas chagas!” Ninguém mais! A Idade Sub-Apostólica é a idade em que ninguém mais pode dizer, como São João diz no início da sua primeira Carta: “O que era desde o princípio, o que ouvimos e o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam...” Vejam que ele insiste na carnalidade, na experiência sensitiva, dos sensitivos, sensorial, ele insiste nisso: “os nossos ouvidos ouviram, os olhos contemplaram, as mãos apalparam no tortante do verbo da vida o que vimos e ouvimos nós vos anunciamos para que vós também tenhais a comunhão conosco.”

Vejam que São João insiste no início da sua primeira Carta na corporeidade do Verbo de Deus. Por que?

Porque, ao contrário do que o senhor Dan Brown diz, no seu “Código da Vinci” – qual é a estupidez do Dan Brown – o Dan Brown diz assim: “Jesus era um homem que casou, teve filhos com Maria Madalena, etc. e tal, o escambau, não é? Aí, lá em 313 veio Constantino e no Concílio de Nicéia em 325 o Concílio de Nicéia decretou que Jesus era Deus. Mas antes de 325 Jesus não era Deus, isso foi uma invenção da Igreja Constantiniana, antes disso Jesus era um homem normal, como outro qualquer que casou e teve filhos.” Essa é a idiotice do Dan Brown.
Só que esse Dan Brown parece que nunca leu a Bíblia e, se leu ele é desonesto o suficiente para querer perverter todos os dados que estão lá na Sagrada Escritura! O que é que nós temos no Novo Testamento? Nós temos no Novo Testamento um esforço dos Apóstolos para transmitir a nova geração da Idade Sub-Apostólica o fato de que Jesus era homem!

A dificuldade da geração Sub-Apostólica, ou seja, a geração que veio depois dos Apóstolos, a dificuldade deles não era acreditar que Jesus não era Deus; era acreditar que Jesus era homem! A primeira heresia que surge a maior dificuldade é a dificuldade docetista. O quê que é docetismo? Docetismo, não é? Dokeo em grego é uma aparência, não é?
O quê é que o docetismo dizia? O docetismo dizia que o Filho de Deus veio ao mundo e Ele não foi homem de verdade. Ele só parecia ser homem! Era uma aparência! O corpo de Jesus era só uma aparência! Entendem? Ele não foi homem de verdade não.
Então o quê é que a heresia que começou a surgir nessa época – os Apóstolos ainda estavam vivos e essa heresia começou a aparecer. O pessoal começou a dizer: “Não, porque o Filho de Deus veio e Ele apareceu, não é, Ele teve uma aparência de homem. Mas essa aparência de homem não era verdadeira isso daí eles até atestavam e usavam expressões de São Paulo. Porque São Paulo, vocês sabem, os escritos de São Paulo são os primeiros escritos do Novo Testamento. A linguagem Cristã ainda não estava toda elaborada. Então São Paulo tenta expressar coisas que são difíceis de dizer na língua humana. Então, por exemplo, a gente pega a Carta de São Paulo aos Filipenses, se você pegar o hino do segundo capítulo da carta aos Filipenses. No hino, São Paulo – esse hino provavelmente é anterior a São Paulo, portanto a Carta foi escrita mais ou menos em 54, isso quer dizer que o hino é anterior, então nós estamos falando aqui de um hino que possivelmente pode ter sido composto no ano 40, alguma coisa assim, então nós estamos com um hino bem primitivo, dos primeiros hinos escritos pelos cristãos para celebrar Jesus, não é? No hino do segundo capítulo de filipenses o quê é que está dito lá? Que Jesus tomou a forma humana, a aparência humana (Fil 2,7). Entenderam?
Então baseados nessas expressões arcaicas, antigas, as primeiras expressões cristãs, os docetistas diziam “Puxa vida, gente, tá vendo só? Era só uma aparência! Ele não era homem de verdade! Ele era Deus mas não era homem de verdade!“
Então essa foi a dificuldade da Igreja, quando os Apóstolos ainda estavam vivos mas a maioria dos Cristãos ainda não tinham visto Jesus. Vocês compreendem que os primeiríssimos Cristãos que viram Jesus eles não tem dificuldade nenhuma de acreditar que Jesus era homem. Porque eles tocaram em Jesus, sentaram com Jesus ao redor da fogueira, comeram peixe assado, viram Jesus suar, cansado, dormindo, ninguém tinha nenhuma dúvida de que ele era homem! Eles levaram um tempo para descobrir que ele era Deus!
Quantas vezes a gente lê no Novo Testamento “... e os Apóstolos ainda não tinham compreendido...” Aí Jesus ressuscita e eles começam a compreender, cai a ficha, aquilo que Jesus durante três anos tentou ensinar para eles naquela de “... como sóis duros de coração e lentos para compreender!” diz Jesus, no caminho de Emaús. “E então Ele lhes abriu a inteligência para compreender as escrituras.” Quer dizer, eles foram compreendendo as Escrituras porque Jesus deu a eles essa possibilidade, para entender tudo o que tinha acontecido!

Então vejam só: os primeiríssimos Cristãos não tinham dificuldade de crer que Jesus era homem. Com a Ressurreição eles aprendem que Jesus era Deus. Jesus já tinha mostrado isso, que era Filho de Deus, durante a sua vida. Foi condenado por isso! Jesus foi condenado à morte porque se fez Filho de Deus! Só que não caía a ficha completamente!

E então, com a Ressurreição e com Pentecostes eles começam a crer de verdade. E começam a pregar isso, começam a ver qual era a fé deles!

Bom, então quando os Apóstolos começam a envelhecer (no caso de São João) ou a morrer martirizados (como no caso de São Paulo e São Pedro) nós já estamos numa época em que a maior parte dos Cristãos não podia dizer que tinha visto Jesus! Essa é a dificuldade, essa é a crise da Idade Sub-Apostólica. Como será o seguimento de Jesus, como é que vai ser a Igreja quando ninguém mais puder dizer “eu vi”? Quando nós não tivermos mais os Apóstolos, porque a finalidade e a função dos Apóstolos era essa. Se vocês pegarem lá, nos Atos dos Apóstolos, vocês vão ver no início dos Atos dos Apóstolos quando os Apóstolos têm que decidir eleger quem que vai substituir Judas – quando eles vão eleger Matias – eles dizem assim: “Convém pois desses homens que têm estado em nossa companhia todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós a começar do Batismo de João até o dia em que do nosso meio foi arrebatado um deles se torne conosco testemunha de sua Ressurreição” (At 1, 21).
Olha aí a função dos Apóstolos! Está aqui definido o quê é que é o Apóstolo! Vamos escolher um Apóstolo para ficar no lugar de Judas. Quem que vai ser? Qual é o critério para ser Apóstolo? Tem que ser alguém que esteve conosco desde o batismo de João (ou seja, o início do ministério público de Jesus) até a sua subida aos Céus (ou seja, o final das aparições de Jesus depois da Ressurreição) para que conosco seja testemunha da Ressurreição! Ou seja, a função do Apóstolo é dizer “eu vi!” Entendeu? “Eu vi o Ressuscitado!”
É por isso que Paulo pode dizer que é Apóstolo! Porque Jesus apareceu a ele Ressuscitado como a um aborto, não é? Ele diz assim, em sua primeira Carta aos Coríntios no capítulo 15: “Por último apareceu também a mim, como um abortivo” (ou seja, fora de hora). Então estou aqui atestando a Ressurreição de Jesus! São Paulo diz “Eu sou Apóstolo porque Jesus me escolheu, não é porque ninguém quis não!”
Só que na Idade Sub-Apostólica, ou seja, quando os Apóstolos não estavam mais aí, ninguém podia dizer mais “eu vi!”

E agora?

Bom, agora a gente vai precisar passar por uma realidade chamada “Os sucessores dos Apóstolos”. E quem vão ser esses sucessores dos Apóstolos?

Vão ser os Bispos!
E para nós compreendermos que são esses Bispos os sucessores dos Apóstolos eu gostaria de tomar o exemplo luminoso de Santo Inácio de Antioquia.

Quem foi Inácio de Antioquia?

Inácio de Antioquia foi um Bispo da cidade de Antioquia que foi martirizado em Roma. Nós temos notícia dele em vários escritos a respeito dele, mas principalmente através das Cartas que ele deixou. Então vamos localizar as coisas aqui no tempo.

Então vejam só; primeiro Inácio de Antioquia era Bispo em Antioquia. Se você for olhar no mapa a cidade de Antioquia você localiza facilmente olhando para a ilha de Chipre. Se você olha para a ilha de Chipre existe uma península lá que aponta como se fosse um dedo na direção de Antioquia. Foi lá que os Cristãos foram chamados de Cristãos pela primeira vez. Antioquia fica perto do Rio Orontes e Antioquia está ligada a São Pedro assim como Roma está ligada a São Pedro. Ou seja, antes de Pedro ir para Roma e morrer mártir em Roma São Pedro esteve em Antioquia.

Então o Bispo de Antioquia ele também é sucessor de São Pedro. É sucessor da Cátedra de São Pedro em Antioquia. Ele não é o Papa, ou seja, ele não é sucessor de Pedro diretamente porque Pedro não morreu lá, não é? Mas é sucessor de Pedro porque Pedro esteve em Antioquia, foi Bispo de Antioquia. Então Antioquia está ligada a esta Tradição Apostólica. Tem também, claro, tantos Apóstolos passaram por lá, São Paulo passou por lá, e assim por diante.

A gente chama esse pessoal aqui – que conheceram os Apóstolos mas não conheceram Jesus – a gente chama de Padres Apostólicos.

Por exemplo, São Policarpo de Esmirna ele podia dizer “eu conheci São João”. Santo Inácio de Antioquia podia dizer “eu conheci São Pedro”. Entenderam?
Existe um famoso escritor – a gente chama ele de o ‘pai da história da Igreja’ – porque foi ele quem escreveu a primeira história da Igreja. Um sujeito chamado Eusébio de Cesaréia. Eusébio de Cesaréia ele foi Bispo de Cesaréia – Cesaréia marítima – e ele fez parte do Concílio de Nicéia, em 325. Era amigo de Constantino, etc. e desempenhou um papel importante no Concílio de Nicéia que nós vamos ver depois embora ele fosse de alguma forma semi-ariano.
Mas Eusébio de Cesaréia escreveu a sua “História Eclesiástica”. Quando ele escreveu a sua “História Eclesiástica” – portanto nós estamos aqui no século quarto – ele nos relata documentos que ele foi lá pesquisar para nos dizer “olha, encontrei aqui uma Carta de um tal fulano chamado Papias” e ele relatava isso e isso, e vai contando os documentos que ele encontrou.

Para nós essa “História Eclesiástica” de Eusébio de Cesaréia ela é importante porque ele relata documentos que ele viu, mas que nós hoje não conhecemos. Ou seja, essas Cartas de Papias e companhia limitada desses escritores mais antigos do que ele chegaram até nós através da cópia que ele fez. Ele diz assim: “Papia diz isso aqui” e aí vai e copia o que Papia estava dizendo. Ou seja, a gente tem a obra de Eusébio de Cesaréia mas não tem a obra direta de Papia. Então a gente diz que Eusébio de Cesaréia de alguma forma é o Pai da história da Igreja.

Na verdade se você for ver, no fundo, no fundo o Pai da história da Igreja foi São Lucas, que começa a contar a história da Igreja através dos Atos dos Apóstolos. Mas... é a Sagrada Escritura, é diferente.
Então Eusébio de Cesaréia fala de Santo Inácio. Eu vou ler para vocês o que ele diz: “Um homem ainda hoje celebrado pelas multidões Inácio, que tinha obtido na seqüência da sucessão de Pedro o segundo lugar. A tradição conta que ele foi enviado da Síria à cidade de Roma – Antioquia fica na Síria, não é? Ainda hoje o país lá chama-se Síria – ele foi enviado da Síria a cidade de Roma para se tornar alimento das feras por causa do testemunho de Cristo. Enquanto viajava através da Ásia sob a vigilância atenta dos guardas confirmava as Igrejas por onde passava com seus colóquios e suas exortações em todas as cidades onde passava.”
Então vejam só, Santo Inácio foi confirmando as Igrejas, quer dizer, confirmando as dioceses, que estavam ali as cidades e ele ia, como que ele confirmava, através de colóquio. Ele ia viajando e o pessoal ficou sabendo “puxa, pegaram o Bispo de Antioquia, tão levando prá Roma, prá ele ser executado, prá ele ser martirizado. Ah é?” Todo o mundo ia lá vê-lo. E aí ele confirmava as pessoas na fé, pregava o evangelho para eles, etc. e ia caminhando. Enquanto isso, no caminho, ele também escrevia Cartas, ditava Cartas para as várias cidades, as várias comunidades que estavam lá. Então são essas Cartas que nós temos de Santo Inácio. São Cartas onde ele escreve para as várias cidades – vejam que nós estamos no ano 107dc.

Vejam, no ano 107 gente não havia ainda Novo Testamento. O Novo Testamento já estava todo escrito mas não estava ainda todo identificado, entenderam? A lista não estava feita ainda. Tinha um que tinha um Evangelho, outro que tinha outro Evangelho, outro tinha uma cópia de uma carta, outro que tinha uma cópia de outra coisa, quer dizer tava todo espalhado por aí! Entenderam? O Novo Testamento ainda não estava identificado como tal. E o quê é que tinha no ano 107? Pelas Cartas de Santo Inácio a gente vê claramente que tinha uma coisa: os Bispos!
Os Bispos!
Nas Cartas que Santo Inácio escreve ele exorta constantemente às pessoas para serem fiéis aos Bispos! A fidelidade, a unidade ao redor do Bispo! É uma coisa assim muito importante! Vejam só; primeira coisa: vou pegar aqui um exemplo, a Carta dele aos Efésios. Ele escreve aos Efésios. Na saudação inicial ele diz assim:
“Inácio, também chamado de Teóforo (Teóforo quer dizer aquele que carrega Deus) à Igreja que foi grandemente abençoada na plenitude de Deus Pai predestinada antes dos séculos para existir sempre para uma glória que não passa, inabalavelmente unida, escolhida na paixão verdadeira por vontade do Pai e de Jesus Cristo Nosso Senhor. À Igreja digna de ser chamada feliz, que está em Éfeso, na Ásia, as melhores saudações em Jesus Cristo numa alegria irrepreensível.”
Então essa saudação dele à Igreja que está em Éfeso. Aí ele exorta o pessoal a unidade. E como é que ele faz isso? Ele diz assim:
“Não vos dou ordens como se fosse uma pessoa qualquer. Embora eu esteja acorrentado por causa do Nome (o nome aqui quer dizer Deus, quer dizer Jesus, não é?) ainda não atingi a perfeição em Jesus Cristo. Com efeito agora estou começando a aprender e vos dirijo a palavra como a com discípulos meus. Sou eu quem teria a necessidade de ser ungido por vós com fé, exortação, perseverança e paciência. Todavia o amor não me permite calar a respeito de vós.”





Ou seja, ele está querendo dizer o seguinte: eu não sou ninguém para dar lição a vocês, mas porque eu amo vocês então eu não posso ficar calado. Então deixa eu falar aqui. E o que é que ele quer falar com tanto amor?
“É por isso que desejo exortar-vos a caminhar de acordo com o pensamento de Deus. De fato, Jesus Cristo nossa vida inseparável é o pensamento do Pai assim como os Bispos estabelecidos até os confins da terra estão no pensamento de Jesus Cristo.”
Então olha só: a união de Jesus com o Pai, a união dos Bispos com Jesus. Tá entendendo? Não tem Novo Testamento ainda no sentido de Sagrada Escritura, mas já tem a união aos Bispos. Ele exorta o pessoal para que fuja das heresias, e saiam dessa coisa da sedução das heresias mas fiquem sempre unidos aos Bispos.
Na Carta aos Magnésios, da Igreja de Magnésia, ele é mais claro ainda. Ele diz assim:
“Convém que não abuseis da idade de vosso Bispo mas pelo poder de Deus Pai lhe tributeis toda a reverência. De fato, eu soube que os vossos Santos Presbíteros não abusam de sua evidente condição juvenil. Mas como gente sensata em Deus se submetam a ele, não a ele, mas ao Pai do Bispo de todos, Jesus Cristo. Portanto para honra daquele que nos amou é preciso obedecer sem nenhuma hipocrisia, porque não é o Bispo visível que se engana, mas é ao invisível que se mente!”

Ou seja, ele está dizendo aqui: o Bispo invisível é Jesus. Agora vocês obedeçam ao Bispo visível porque vocês podem enganar esse Bispo visível aqui mas o invisível vocês não enganam não! Estão entendendo?

“Não se fala da carne mas de Deus que conhece as coisas escondidas.”

Então vejam que coisa impressionante que ele desde o início – nós estamos aqui no ano 107. Eu não entendo uma pessoa que lê um negócio destes e ainda consegue ser protestante! No ano 107dc não tem ainda bíblia do jeito que nós conhecemos! Mas já tem Bispo!


Ele diz assim:
“Por isso lhes peço que estejais dispostos a fazer todas as coisas na concórdia com Deus sob a presidência do Bispo que ocupa o lugar de Deus!”

Ficar mais claro do que isso, difícil não é?
O Bispo ocupa o lugar de Deus!

“Dos Presbíteros – que representam o colégio dos Apóstolos – e dos diáconos, que são muito caros para mim aos quais foi confiado o serviço de Jesus Cristo que antes dos séculos estava junto do Pai e por fim se manifestou.”

Então olha só, como é que se organiza a Igreja. No lugar de Jesus está o Bispo. No lugar dos Apóstolos estão os Presbíteros. Então quando um Bispo na sua Catedral se reúne sentado na cátedra rodeado pelo seu presbitério nós estamos diante de uma cena que é descrita no livro do Apocalipse. “O Cordeiro sentado no trono e os Apóstolos, os anciãos e os presbíteros que são doze do Antigo Testamento e doze do Novo Testamento – vinte e quatro anciãos que com coroas na cabeça reverenciam-se e depõem suas coroas diante do trono do Cordeiro.”
O manual de liturgia da Igreja Católica é o livro do Apocalipse. Esse é o nosso manual de liturgia. Então o pessoal fica dizendo assim: “Ah, mas esse negócio de trono pro Bispo, isso é uma coisa medieval, uma invenção..” Não é medieval, não gente! Isso aqui é o livro do Apocalipse. É o trono do Cordeiro, aquele trono que está lá não é do Bispo em si, é de Jesus Cristo. E quando o Bispo senta lá na cátedra ele é o sinal, o símbolo de Cristo que senta na cátedra. Estão entendendo?
Agora, é evidente que tudo isso supõe que esse Bispo seja fiel, não é? Nós vamos aprender depois que este princípio de obediência é um princípio hierárquico: eu obedeço ao Bispo como quem obedece a Jesus Cristo porque o Bispo é obediente!

Agora, se for um Bispo herético, rebelde, insensato é evidente que eu não vou obedecer a ele como se fosse Jesus Cristo! Estão entendendo? Eu obedeço ao Bispo obediente!
Então Santo Inácio fala com toda a clareza a respeito dos Bispos. Ele escreve para a Igreja que está na Trália e as pessoas que nascem na Trália são os tralianos. Na Carta de Santo Inácio aos tralianos (não é aos australianos, tá? É aos tralianos!). Então quando ele escreve aos tralianos ele também fala do Bispo. Nós já estamos na terceira Carta e olha que isso aqui é quase que um sambinha de uma nota só. É a tecla na qual ele insiste do início ao fim! Essa estória de Bispo. Não é que por acaso ele escreveu numa das cartas uma passagenzinha escondida numa nota de rodapé... Não! Isso daqui é o centro do que ele quer dizer! Ele diz:

“Quando vos submeteis ao Bispo como a Jesus Cristo demonstrais a mim que não viveis segundo os homens mas segundo Jesus Cristo que morreu por nós afim de que, crendo em sua morte possais escapar da morte.” Entenderam?
Então ele fala dos Presbíteros, fala dos Diáconos, eu não vou ler tudo porque não dá prá gente ficar aqui a manhã inteira lendo as sete Cartas, tá? E depois exorta que fujam da heresia:

“Eu vos exorto, portanto, não eu propriamente mas o amor de Jesus Cristo ao usar somente alimento Cristão abstendo-vos de toda erva estranha que é a heresia!”

Aqui a preocupação de manter a fé, a doutrina...”Sejam fiéis ao Bispo, fujam da heresia”
A Carta aos Romanos eu vou deixar por último quando nós falarmos a respeito dos mártires, tá? Então eu vou pular a Carta aos Romanos.
Carta aos Filadelfenses... ou Filadelfienses. Olha só, a Igreja da Filadélfia:
“Sei que o Bispo para servir a comunidade não obteve o ministério por si mesmo, nem pelos homens, nem por vanglória, mas pelo amor de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo. Fiquei admirado com a bondade dele.” Ou seja, o Bispo foi lá visitá-lo, já que ele estava indo preso não é, e aí Santo Inácio vai, elogia o Bispo, etc. elogia a constância dele diz prá fugir da heresia e diz uma coisa interessante sobre a Eucaristia, olha só, ele diz que não deve haver divisão e que existe uma unidade ao redor do Bispo e da Eucaristia. Eu vou ler para vocês:
“Isso não significa que encontrei divisão entre vós, mas é uma seleção. Com efeito, todos aqueles que são de Deus e de Jesus Cristo, esses estão também com o Bispo.”
Quem é de Deus está com o Bispo. Quem não é de Deus está contra o Bispo. Foi isso que Inácio disse.
Ele diz:
“Aqueles que, arrependendo-se vierem para a unidade da Igreja serão também de Deus para que sejam vivos segundo Jesus Cristo. Não vos enganeis, meus irmãos, se alguém segue cismático não herdará o Reino de Deus. Se alguém caminha em conhecimentos estranhos este não participa da paixão. Preocupai-vos de participar de uma só Eucaristia.”
Ou seja, já nessa época só existe uma Eucaristia, a Eucaristia do Bispo. Uma só assembléia Eucarística: a do Bispo. E os Presbíteros co-celebram! É a visão do Apocalipse. O Cordeiro, o altar, os Apóstolos ao redor. Então, uma só Eucaristia. Nessa época tinha já gente dividindo, querendo fazer a sua missinha a parte. Santo Inácio diz: “Não! É uma Eucaristia só!”
E é interessante, nós hoje ainda guardamos uma lembrança desta realidade de que existe só uma Eucaristia. Quando a Igreja começou a crescer e não dá prá reunir todo mundo num lugar só prá participar da Eucaristia do Bispo o quê é que se fez: o Bispo celebrava a Eucaristia e mandava um Acólito ou um Presbítero com um pedacinho da hóstia que ele tinha consagrado lá pro lugar em que ia ter aquela outra celebração Eucarística. Então na hora da fração do pão, na hora em que se partia o pão se pegava aquele pedacinho de hóstia do Bispo e se colocava no Cálice, para dizer que essa Eucaristia que nós estamos celebrando aqui está em comunhão com a Eucaristia do Bispo. Esse gesto que nós temos hoje do padre que parte a hóstia e coloca um pedacinho da hóstia dentro do Cálice é resquício disso. Aquele pedacinho de hóstia que é colocado no Cálice é chamado “fermentum” não é? É o fermento. Quem trabalha com fermento natural sabe como é que é o fermento. O fermento é o quê? É um pedacinho de massa de pão que já está fermentada guardada ali é cultivada aquele pedacinho de pão. Você vai fazer aquele pão e mistura tudo, fermenta a massa, não é? Então ali seria o fermento do Bispo, para dizer simbolizando que o Bispo está unido ali e está fermentando aquela Eucaristia para que seja a mesma Eucaristia. Não haja divisão na Igreja.
Então vejam como é que a Igreja nasceu: meus queridos, a Igreja nasceu Católica! Tá? Ela não ficou Católica depois. Me desculpe o senhor Dan Brown mas a Igreja nasceu Católica! Nós estamos aqui no ano 107 gente! E ninguém questiona a autenticidade destas Cartas de Santo Inácio! Porque são tão antigas que todo o mundo sabe, é um negócio muito antigo, não tem como você negar! Então a única Eucaristia é a Eucaristia do Bispo!

Carta de Santo Inácio ao povo de Esmirna. Quem nasce em Esmirna é esmirniota ou esmirnense. Então ele escreve para o povo de Esmirna mais uma vez ele manda fugir das heresias e pede unidade com quem? Com o Bispo!
Dá prá notar que o negócio aqui é um sambinha de uma nota só! Ele diz aqui:
“Seguis todos ao Bispo como Jesus segue ao Pai e ao presbitério como os Apóstolos, respeitai os diáconos como a lei de Deus. Sem o Bispo ninguém faça nada do que diz respeito a Igreja. Considerai legítima a Eucaristia realizada pelo Bispo ou por alguém que for encarregado por ele. Onde aparece o Bispo aí está a multidão. Do mesmo modo que onde está Jesus Cristo aí está a Igreja Católica.”
Olha a palavra Católica aqui! Já apareceu a palavra Católica! Nós estamos no ano 107.
O que quer dizer Católico?
Católico quer dizer Universal, quer dizer inteira, quer dizer a Igreja íntegra, que não está faltando nenhum pedaço! Não é?

Aí está a Igreja Católica!

“Sem o Bispo não é permitido Batizar e nem realizar o Ágape (ou seja a reunião, o banquete Eucarístico). Tudo o que ele aprova é também agradável a Deus para que seja legítimo e válido tudo o que se faz! De agora em diante convém retornar o bom senso enquanto ainda temos tempo convertermos a Deus. É bom reconhecer a Deus e ao Bispo! Quem respeita o Bispo é respeitado por Deus. Quem faz algo às escondidas do Bispo serve ao diabo.”

É sério! A coisa é séria!

Meus senhores a Igreja nasceu Católica!

Agora ele escreveu também uma Carta para o Bispo Policarpo Bispo de Esmirna. Ele não escreveu só para o povo de Esmirna, escreveu pro Bispo. São Policarpo. Dizendo como é que ele deve ser firme contra os hereges, não é? Ele diz assim:

“Aqueles que parecem dignos de fé mas ensinam o erro não te amedrontem.” Ou seja, seu Bispo, não tenha medo, seja homem! Não seja calça frouxa! Entendeu? Seja homem!

“Permanece firme como a bigorna sob os golpes do martelo.” Ele tá dizendo o seguinte: seu Bispo você vai levar paulada, mas fique firme! A bigorna leva martelada mas ela continua firme, não é? O Bispo é a bigorna. Se ele quer ser Bispo e não quer levar paulada vai caçar outro emprego! Bispo é prá levar paulada!

A mesma coisa também padre, viu? Você quer ser padre mas não quer levar paulada meu irmãozinho, muda de profissão! Você tem que ter um capacete bom!

“É próprio do grande atleta aparar os golpes e vencer! É por causa de Deus que devemos suportar tudo afim de que Ele também nos suporte! Sê mais zeloso do que és! Discerne os tempos, espera aquele que está acima dos tempos, atemporal e invisível mas que se tornou visível para nós. Aquele que é impalpável e impassível, mas que se tornou passível por nós e por nós sofreu de todos os modos.”

Aí manda cuidar das viúvas, dos órfãos, cuidar das famílias, não é? E ele ainda exorta a submissão ao Bispo mais uma vez:

“Atendei ao Bispo para que Deus vos atenda!”

Você quer que Deus ouça a sua oração? Então, ouça o que o Bispo pede.

“Ofereço minha vida para os que se submetem ao Bispo, aos presbíteros e aos diáconos. Possa eu com eles ter parte em Deus. Trabalhai uns com os outros, e unidos combatei, lutai, sofrei, dormi, despertai, como administradores e assessores e servidores de Deus.”

Essa Igreja é bonita, não é? É bonito ser Católico!

Nós a seu tempo iremos comentar a respeito da Carta de Santo Inácio aos Romanos mas quando nós falarmos do martírio, tá? É uma Carta bonita a respeito do martírio.
Mas o quê é que eu quero colocar para vocês aqui?
Exatamente o fato de que, mal morreram os Apóstolos e a Igreja já está toda ela organizada ao redor do Episcopado. O Papa, ou seja, o sucessor de São Pedro em Roma, a missão do Papa ela já existe mas ela vai tomando forma aos poucos, entendeu? Como é que o Papa vai exercer sua missão de confirmar os irmãos como Pedro. Por que? O quê é que acontece nesta época em que Santo Inácio escreve – nós estamos numa época de perseguição – é possível e provável que o Papa estivesse morto, ou seja, havia o martírio dos Papas, etc. e é possível que, quando Inácio escreve para Roma ele não fala de nenhum Bispo em Roma. Ele diz que a Igreja de Roma preside na caridade. Então ele já fala de uma presidência que Roma preside todas as outras Igrejas. Nós estamos em 107!
Agora, é possível e provável que ele não fala de Bispo em Roma, é possível e provável que tivesse sede vacante, entendeu? Que estivesse vacante a cadeira de São Pedro lá em Roma, por que? Por causa das perseguições, etc.

Os primeiros Papas em sua grande maioria foram todos mártires, não é? Todos morreram. Então ser eleito Papa naquela época era quase certeza e garantia de morte por martírio. Não era fácil não, não era um cargo honrado humanamente falando. Era um cargo do ponto de vista humano pesado. Por ser eleito Papa era ser perseguido pelo Imperador, porque é evidente, o sujeito é Bispo onde? Na capital do Império! O Imperador quer acabar com o Cristianismo, qual é o primeiro Bispo que ele vai perseguir? É o Bispo da casa dele, não é? O que está na casa dele! Então ser eleito Papa era garantia de martírio! Ser eleito Bispo de Roma era complicado!
Mas Inácio já diz que a Igreja de Roma ‘preside na caridade’. Então já ali a gente vê, vejam, uma organização da Igreja ao redor dos Bispos e ao redor da Igreja de Roma. Entenderam?
Então cada Igreja local ao redor de seu Bispo e as várias Igrejas, ou seja, quando eu uso a palavra Igreja aqui no plural esta palavra significa diocese, tá? Entendeu?
Quando eu digo ‘as várias Igrejas’ eu não estou falando da Igreja Luterana, da Igreja Episcopal, da Igreja Batista. Eu estou falando das dioceses, não sei se dá para entender esse vocabulário? Quando a gente diz Igreja no plural nós estamos falando das dioceses.

Então a Igreja de Cuiabá, a Igreja de Rondonópolis, a Igreja de Brasília, a Igreja de São Paulo, a Igreja do Rio é a mesma Igreja Católica, a única Igreja Católica!

Agora se eu digo: as Igrejas do Brasil na linguagem Católica, eu estou falando das dioceses brasileiras. Entendem?
Então Santo Inácio de Antioquia ele escreve às Igrejas que se reúnem ao redor de seu Bispo e quem preside as Igrejas é uma Igreja: a Igreja de Roma.

Minhas senhoras e meus senhores: bem-vindos à Igreja Católica!
Vejam a beleza de estudar a história da Igreja!
E estudar a partir das fontes primárias! A partir dos documentos históricos! Eu não estou lendo para vocês um manual que alguém escreveu dois mil anos depois! Eu estou lendo a Carta do próprio Santo Inácio escritas em 107, 110, por aí!

Depois Inácio foi martirizado em Roma, não é (nós não temos um relato contemporâneo e direto do martírio dele, só relatos posteriores mas nós sabemos que ele morreu em Roma). Sabemos também que Santo Inácio era um Santo muito popular! Havia uma verdadeira devoção, tanto que Eusébio de Cesaréia, como nós lemos, não é, dizia que ele foi aclamado pelas multidões, ou seja, ainda hoje ele era aclamado pelas multidões (hoje quer dizer quando? No século IV). Santo Inácio morre martirizado no início do século II, dois séculos depois Eusébio de Cesaréia está dizendo que ele era aclamado pelas multidões! Que era muito admirado!

Também aí nós vemos a Igreja Católica, não é? Essa veneração pelos mártires, veneração pela santidade das pessoas. Gente, a Igreja Católica nasceu tendo Santos! Venerando Santos! Não foi o paganismo que introduziu a veneração aos Santos mas foi exatamente uma Igreja que sabia do valor do martírio e que, sobretudo, tinha a mesma fé que São Paulo tinha! Ou seja, São Paulo quando ele perseguia os Cristãos, ele teve aquela experiência. Jesus dizia: “Paulo, por que me persegues”. Uai, mas eu não estou perseguindo Jesus, Jesus não está aqui? Não, mas você está perseguindo quem? Os Cristãos! Você perseguiu os Cristãos? Você está perseguindo Jesus lá no Céu! Perseguiu Cristão aqui na Terra, perseguiu a Igreja aqui na Terra? Você está perseguindo Deus!
Essa é a nossa fé!
Então, quando nós veneramos os membros do Corpo de Cristo, ou seja, os Santos, essa veneração é também para Cristo!

Eu não entendo por que é que os evangélicos/protestantes tem essa birra de que nós não podemos venerar! Essas pessoas da Igreja já nasciam venerando esse povo! A Igreja nasceu venerando os Santos! Se quando você persegue um Cristão e um mártir e você mata o mártir, você tá matando Cristo, por que é que quando você honra um mártir você tá cometendo idolatria? Entendeu o problema?

Que aí tem alguma coisa que não está batendo?
A Igreja já nasceu venerando essas pessoas Santas!
Então a Igreja Católica na época dos Padres Apostólicos já começou a transmitir a verdade da fé não baseada só na escritura – porque não dava prá basear só nas escrituras. As escrituras eram importantes, sempre foram importantes! Os Evangelhos sempre foram lidos, as Cartas de Paulo sempre foram lidas, sempre foi venerada a revelação de Deus através das Sagradas Escrituras. Mas não havia clareza sobre os livros ainda!

Portanto essa clareza ela foi sendo adquirida a partir do que? Da fidelidade aos Bispos! E a sinfonia dos Bispos, entendeu? Os Bispos todos unidos que confirmam a fé dos irmãos e nos dão toda essa garantia de que nós estamos na única Igreja de Cristo!

Então prestem atenção que aqui é importante pois depois na prática a gente saber isso. Não é que um Bispo ‘falou que a água parou’. É o seguinte: o Bispo é sim o representante de Cristo onde quem está com o Bispo está com o Cristo, desde que o Bispo esteja unido a Igreja! Se for um Bispo herege, meu irmãozinho, tchau, tchau. Entendeu? Não vou te obedecer não! Vocês estão entendendo isso aqui, não é?
E depois não tem essa Igreja – deu prá você notar – essa Igreja paz e amor bixo, não é? “Ah, nós somos da paz, nós não vamos condenar ninguém!” A Igreja já nasceu condenando a heresia! Olha a insistência de Santo Inácio pros Bispos: “olha aqui meu filho, você é Bispo prá agüentar paulada! Não fica intimidado pelos hereges não, porque eles são uns fie-da-mãe! Cê tai prá confirmar a fé dos irmãos então não fique intimidado!”
A Igreja já nasceu lutando contra a heresia!
Então vejam a preocupação da Igreja Sub-Apostólica! A fidelidade ao redor dos Bispos, a unidade ao redor da Eucaristia do Bispo no combate às heresias e as falsas doutrinas! Já estava lá, na primeira geração após os Apóstolos!
A pergunta é: por que é que a Igreja se concentrou ao redor da Igreja de Roma como sendo a mãe, como sendo a Igreja maior?
Bom, a resposta é a seguinte: primeiro que a cidade de Roma era realmente a cidade principal do Império! E segundo a cidade de Roma é a cidade onde os dois grandes Apóstolos Pedro e Paulo derramaram o seu sangue.
Então foi em Roma que Pedro derramou o sangue dele.

Em Roma estavam os túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo.
Então isto deu uma importância, já havia uma importância normal política da cidade de Roma. E os Cristãos viram como providencial essa coisa de que Pedro - o Príncipe dos Apóstolos, o primeiro deles não é, aquele que está lá onde está Pedro, aí está a Igreja, confirma a fé dos irmãos, tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja – ou seja, que a pedra que é Pedro tenha sido plantada, digamos assim, pelo martírio na Igreja de Roma.
Então houve os cristãos desde cedo começaram a ver como algo providencial que na cidade principal do Império, não é, onde politicamente tudo girava ali ao redor exatamente lá foi que o primeiro dos Apóstolos São Pedro derramou o seu sangue. Portanto onde é que fica o sucessor de Pedro? Onde Pedro morreu! Onde Pedro entregou a Deus a sua vida. Então a herança fica onde a pessoa morre, não é isso? Então é lá em Roma que se identifica a sucessão de Pedro.

E assim terminamos a Idade Sub-Apostólica.
Deixo aqui uma dica que acredito ser interessante para se entender bem essa parte da história da Igreja de Cristo, de como foi formando sua estrutura através de perguntas:
1) Quem eram os Bispos?

2) Qual era a sua função?
3) Quais foram as principais razões que fizeram com que a Igreja Cristã tivesse na Igreja de Roma uma importância tão marcante?

4) Qual o significado da veneração que os primeiros Cristãos tinham por seus mártires?
5) Esta veneração foi importante para a divulgação e o crescimento do Cristianismo? De que forma?
6) Exponha sua opinião sobre o que foi visto até agora na história da Igreja de Cristo.

2 comentários:

Anônimo disse...

Quanta bobagem, sabe porque eu escrevo isso?
Leia David Icke O MAIOR SEGREDO, tem algumas coisas interessantes ali até mesmo pra voces fanaticos.

Nelson disse...

Caríssimo:

Primeiramente quero agradecer seu comentário, principalmente por tratar-se de um não-Católico.

O fanatismo é algo realmente lamentável. Porém fanatismo e crença são coisas diferentes e você pode crer que no meu caso sou um apaixonado pelo tema, tal como sou apaixonado pela Igreja Católica.

Tudo o que postei aqui foi fruto de trabalho sério de pesquisa, nada de achismo, só documentos.

Não conheço a obra que mencionastes. Caso queira apresentar outros argumentos serão muito bem vindos.

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo.